Wednesday, June 11, 2008

La Parra - 65km

PBLH: 0.2355E+04
CAPE: 0.1536E+02
O meu objectivo neste dia era fazer 50km e tentar ultrapassar as árvores que me impediram o voo anterior. Havia traçado uma rota no gps com 4 ou 5 aldeias, que acabei por abandonar uma vez que todos os outros pilotos seguiram mais a sul, e o plano era irmos em conjunto.
O voo começou com uma quase marreca, aonde acabei por tirar uma térmica potente colado à aterragem que me levou mais depressa lá pra cima que os outros pilotos que estavam a subir na crista.

O Driu (que conhece La Parra como as palmas) mais ou menos aos 1600 atirou se para trás, e desafiou nos no rádio dizendo que a altitude que tínhamos já era suficiente, ao que se seguiu o Saiote e o Jorge. Eu queria ganhar mais logo no inicio para facilitar as primeiras transições que são feitas inteiramente por cima de árvores e com poucas aterragens, afinal altitude é gasolina no tanque. Já na crista por trás, encontrei o Saiote baixo e o Driu a lamber o chão, e fiquei contente por ter subido mais antes. O Saiote apanha um tiro que o faz subir mais rápido do que o tempo que levei a chegar a térmica dele, e a partir dai fiz o voo todo sozinho.
Segui aos 2025m derivando mais para sul para garantir uma rota com aterragens, quando uma descendente gigante deixa me aos 800m, com o sol um pouco mais à minha frente e um monte que dava um bom gatilho, era ali que eu queria subir (15km). Depois de apanhar umas coisas fracas, aos 880m metros mais ou menos apanhei um canhão que não sei bem como deixou me a ver a asa e o chão ao mesmo tempo, mas sem nunca perder pressão na asa nem fechar depois de umas duas ou tres voltas mais violentas estabilizei a coisa e subi novamente até aos 1800.



A partir daqui todo o voo foi feito muito cautelosamente para não ficar tão baixo novamente, sempre enrolando zerinhos para fugir a grandes descendentes. Passado Jerez de los Caballeros (25km) depois de hora e meia de voo (lugar aonde tinha aterrado no ultimo voo para não seguir por um caminho em que eu só via árvores) decidi arriscar pelo meio de um deserto (sem estradas) e tentar chegar a Oliva de la Frontera (37km). Levei mais uma hora para fazer 15 km sempre mantendo uma altitude razoável (entre 1500 e 2100) aonde finalmente os campos arborizados davam lugar à planície alentejana. Nesta altura eu sabia que o Driu e o Jorge estavam à minha frente, calculava a uns 15 km de mim, mas nunca os consegui ver. Segui por cima de uma estrada entre muita sombra sempre a procurar as partes ao sol até Valencia de Mombuey (52km) a ultima aldeia antes da fronteira. A esta altura já tinha conseguido o meu objectivo do dia dos 50km, e queria conseguir passar a fronteira e fazer mais 20km para tentar alcançar os 70km que tenho como objectivo fazer este ano. Neste ponto resolvi para tentar fazer mais km avançar com La Parra a 180º na direção para onde seguia de forma a tentar fazer mais km, mas à minha frente já havia demasiada sombra e eu com receio de esperar mais tempo decidi seguir e tentar a sorte por cima de uma floresta ao lado de Amareleja (63km) que eu apostava dar térmica. Não aconteceu, ainda tentei sobreviver por cima de um campo com painéis solares, mas a térmica estava muito partida e acabei por ir para o chão aos 65km. Fiz o voo todo sem usar acelerador (só nas descendentes) e muito devagar para conseguir ultrapassar as partes com pouca aterragem.

Atingi os meus objectivos mas não fiquei completamente satisfeito porque o dia tinha potencial para bastante mais. 65km de voo farofa; o meu record até agora mas com sabor a pouco (faltaram 5km).

65.4km em 3:23h
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